quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

"Não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego"

Saí ontem de manhã para comprar "O Caçador de Pipas". Infelizmente estava esgotado. Então fiquei olhando os outros livros, procurando alguma outra boa opção. E foi aí que me deparei com Gabriel Garcia Marquez, logo lembrei do meu empenho desastroso em ler "Cem Anos de Solidão", que há mais de um ano não consigo passar da metade... Mas ao ver "Memórias de Minhas Putas Tristes", senti algo diferente, talvez pela figura graciosa desse velhinho que ilustra a capa, resolvi comprá-lo. Bom, comecei a ler ontem à noite, e há uma hora atrás mais ou menos terminei. E o que posso dizer é que é uma história simples, deliciosa de ler, que me emocionou de várias formas, e ao ler a última frase me senti extasiada. Não sei nem como explicar direito. Apenas recomendo que leiam e sintam.



"Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego. Havia perdido mais de quinze anos tratando de traduzir os cantos de Leopardi, e só naquela tarde os senti a fundo: Ai de mim, se for amor, como atormenta." (página 95)

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