terça-feira, 25 de novembro de 2008

Deixando de lado o que acontece aqui dentro. Para falar do que está acontecendo lá fora.

Acho que todos, de uma forma ou de outra, estão acompanhando os tristes acontecimentos causados pelas chuvas aqui em Santa Catarina. Minha cidade também foi afetada. Não tanto quanto algumas cidades aqui perto. A maioria de nós aqui sofre apenas com a falta de água. Porém muitos amigos meus, tiveram suas casas encobertas pela água. Colegas de trabalho encontram-se isolados em cidades vizinhas. No geral, muitas perdas materiais, prejuízos na agricultura, rodovias interditadas, indústrias paradas, hospitais sem condições de atendimento, pessoas ilhadas, e mais que isso, muitas vidas perdidas, soterradas, muitos ainda nem foram encontrados. Diante desse cenário todo, de todas as imagens na televisão, na internet e nos jornais, o que mais me choca é ver que algumas pessoas ainda estão alheias a tudo isso. Ontem ouvi uma senhora ligar numa rádio para reclamar que por causa da falta de luz, iria perder tudo que estava dentro da geladeira. Vejam se isso tem cabimento. A cidade dela estava se desmanchando, um desmoronamento atrás do outro, pessoas desoladas, e ela preocupada com alguns quilos de carne na geladeira? Ao invés de reclamar, poderia pensar em dar o que tem lá para quem está precisando, antes que estrague tudo. Outra, ligou para uma rádio aqui do litoral norte, reclamando que a praia estava suja e que assim não teria condições de caminhar. Gostei da resposta do locutor, ele disse mais ou menos assim "Já que a senhora quer tanto caminhar, pegue uma cesta básica e leve para quem está precisando, a prefeitura no momento está empenhada em socorrer vítimas". Sem falar em outros comentários, tais como "Não tem água para lavar a roupa!" , agradeça que lhe sobram roupas para lavar. "É um absurdo, não estão fazendo a coleta do lixo", bom, os caminhões de lixo até passariam, se não estivessem sendo usados pra levar ajuda aos desabrigados. São coisas como essas que tenho ouvido nos últimos dias. Será que é necessário entrar água na casa delas, ou perder algum ente querido para finalmente se comover com a situação? Nem sempre se tem condições de ajudar ao próximo, mas paciência e respeito é o mínimo que se espera das pessoas numa hora dessas.


5 comentários:

julicatharino disse...

O egoísmo do ser humano é mesmo impressionante... Se é que podemos chamar de "seres humanos" pessoas assim... Parabéns pelo texto, amiga. Espero que as coisas melhorem por aí. Bjs!

Anônimo disse...

Deixo aqui, simbolicamente, representado minha sensibilidade em relação àqueles que presenciaram perdas, especialmente, de vidas humanas. Faço votos de que tudo, o quanto antes, se resolva, na medida do possível. Acho que não há muito o que dizer.
Acaso

Simão Cireneu disse...

Dra. Repolhinha,
a situação é de fato preocupante. Lembrei-me imediatamente de vocês aí do Sul, quando comecei a ver na TV e na imprensa escrita as péssimas notícias.
Sorte para vocês todos aí, são os votos do amigo Fart.

Dra. Repolha disse...

Ora vejam só!
E não é que quem é vivo sempre?
Que saudade de você querido amigo Fart.

Vê se não some!

Abração!

disse...

Menina, eu lavei o mundaréu de roupas no tanque ontem, com água da piscina felicíssima da vida. E se me pedissem lavava a da vizinhança toda!

O duro é ouvir mesmo esse tipo de coisa enquanto o som das ambulâncias, samu, helicópteros, máquinas trabalhando sem parar se mistura ao choro de quem perdeu tudo.

Aqui na minha rua, o que eu ouvi foi: a gente tem que procurar uma casa pra alugar, mas agora nem tem, né? - pra esses 10 segundos fizeram a maior diferença entre a vida e a morte. A casa cedeu barranco abaixo. Agora pergunta se eles estão reclamando que não tem água, coleta de lixo e energia elétrica?

Não dá pra acreditar que, diante de tudo o que se vê, tem gente que ainda reclama. O pior cego é aquele que não quer enxergar! Tá doido! Isso é, no mínimo, falta de respeito. Pior: caráter!

E vamos sim, reconstruir tudo outra vez!